Política

Comissão de Orçamento aprova parecer com R$ 16 bilhões para emendas de relator

A Comissão Mista de Orçamento aprovou, nesta segunda-feira (6), o parecer preliminar do projeto de lei orçamentária para 2022. O texto reserva R$ 9...

Fonte:Agência Senado
06 de Dezembro de 2021 as 18h 15min

A Comissão Mista de Orçamento aprovou o parecer preliminar do projeto de lei orçamentária para 2022 - Jefferson Rudy/Agência Senado

A Comissão Mista de Orçamento aprovou, nesta segunda-feira (6), o parecer preliminar do projeto de lei orçamentária para 2022. O texto reserva R$ 90,6 bilhões para mudanças nas despesas por meio de emendas, incluindo R$ 10,5 bilhões reservados para emendas impositivas individuais e R$ 5,7 bilhões para emendas de bancada estadual com execução obrigatória. A maior parte do dinheiro vem de uma reestimativa bruta da receita de R$ 71,8 bilhões, por causa do desempenho melhor da economia.

No entanto, a principal polêmica foram as emendas de relator, classificadas como RP9. O relator-geral do Orçamento, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), destina R$ 16,2 bilhões para as RP9, valor pouco inferior à dotação deste ano, de R$ 16,8 bilhões.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender a execução desses recursos, por julgar que falta transparência na distribuição por indicações de parlamentares. Em resposta, o Congresso aprovou uma resolução que aumenta a publicidade sobre a destinação e estabelece limite para as despesas.

O deputado Wilson Santiago (PTB-PB) lamentou a falta de uma posição da Justiça sobre a liberação das emendas de relator de 2021. "Todos estão apreensivos no sentido de não dar tempo e a Justiça não liberar os recursos."

Volume e critérios

A Comissão rejeitou cinco destaques que tentaram reduzir o volume de recursos das emendas de relator ou mudar os critérios de distribuição e execução.

O deputado Glauber Braga (Psol- RJ) se manifestou contra o parecer preliminar por causa das emendas RP9. "Não tem transparência, não tem critério socioeconômico para distribuição dos recursos. A lógica é de irrigação de base eleitoral em troca de recursos públicos por votos. O volume de recursos para esta finalidade é altíssimo, igual à soma de todas as emendas individuais e de bancada", criticou.

Já o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG)  afirmou que as emendas de relator são importantes para obras maiores de infraestrutura, que não podem ser arcadas com recursos de emendas individuais. "A minha expectativa é que a gente siga nesta direção de transparência total. Eu entendo que precisamos do relator porque o Orçamento, da forma que veio, não contempla tudo o que estamos vendo lá na ponta. Nossas emendas individuais não têm capacidade de alcançar problemas maiores."

Programações

Segundo o parecer preliminar, as emendas de relator devem atender 22 programações que tenham caráter nacional. São elas:

- ações e serviços públicos de saúde;

- sistemas públicos de abastecimento de água, de esgotamento sanitário e de resíduos sólidos;

- defesa nacional, bem como a proteção, a ocupação e o desenvolvimento das faixas de fronteira, incluindo melhorias na infraestrutura local;

- investimentos de infraestrutura logística, social, urbana e hídrica;

- promoção do desenvolvimento regional e territorial;

- construção, reforma e reaparelhamento de portos e aeroportos de interesse regional;

- expansão e funcionamento de instituições federais de ensino superior, hospitais universitários e instituições federais de educação profissional e tecnológica, colégios militares e infraestrutura e desenvolvimento da educação básica;

- instalação e modernização de infraestrutura para esporte educacional, recreativo e de lazer e a ampliação e qualificação do acesso da população ao esporte e ao lazer;

- desenvolvimento e promoção do turismo e da cultura;

- ações de defesa civil;

- fortalecimento da Política Nacional de Segurança Pública;

- defesa sanitária animal e vegetal; pesquisa e inovação agropecuária; assistência técnica e ações de fomento ao setor agropecuário voltadas para a melhoria da qualidade e o aumento da produção, inclusive com vistas ao aumento das exportações e ao cumprimento de acordos internacionais;

- consolidação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e ações sociais;

- proteção, desenvolvimento e controle ambiental e promoção e defesa das comunidades indígenas;

- ações de ciência e tecnologia;

- instalação de projetos de cidades digitais e inteligentes e de inclusão digital;

- instalação, ampliação e desenvolvimento de projetos de fontes de energia alternativa e renovável;

- aquisição de terras e desenvolvimento de assentamentos rurais, regularização fundiária e assistência técnica e extensão rural;

- ações e políticas voltadas à promoção da mulher, da família e dos direitos humanos;

- fiscalização do cumprimento de obrigações trabalhistas e inspeção em segurança e saúde no trabalho;

- pesquisa, desenvolvimento e fomento da cafeicultura;

- subvenção econômica ao Prêmio do Seguro Rural.

Regra de ouro

Outro ponto polêmico da votação foi a regra de ouro, dispositivo que limita o endividamento público para cobrir despesas do dia a dia. O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) defendeu destaque para suprimir a parte geral do parecer preliminar que permite suplementar despesas que tenham parcelas condicionadas na lei orçamentária por não atender a regra de ouro.

No entanto, a Comissão rejeitou o destaque. Hugo Leal observou que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) já permite a votação de créditos especiais por meio de projetos de lei do Congresso Nacional (PLNs).

Precatórios

O relatório de Hugo Leal ainda não contém os recursos que podem ser abertos com a aprovação da chamada PEC dos Precatórios (Proposta de Emenda à Constituição 23/21), que já foi aprovada pelo Senado e volta para análise da Câmara dos Deputados. Hugo Leal ainda espera garantir mais dinheiro no relatório final com a privatização da Eletrobras. "A expectativa é que, após tudo isso, possamos incluir no Orçamento 2022 o necessário para o pagamento do Auxílio Brasil", calcula.

Pareceres setoriais

Com a aprovação do parecer preliminar, a Comissão de Orçamento passa a discutir os relatórios setoriais, que detalham os gastos em Educação, Saúde, Infraestrutura e outras áreas temáticas. A expectativa é aprovar o projeto de lei orçamentária até 17 de dezembro, na semana que antecede o recesso parlamentar de fim de ano.

Da Agência Câmara de Notícias


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