Economia

Dívida Pública cai 0,68% em setembro e continua abaixo de R$ 5,5 tri

Vencimento de títulos corrigidos pela Selic provocou queda

Fonte:EBC
27 de Outubro de 2021 as 16h 00min

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O vencimento de mais de R$ 200 bilhões em títulos públicos vinculados à taxa Selic (juros básicos da economia) fez a Dívida Pública Federal (DPF) cair pela primeira vez desde abril. Segundo números divulgados hoje (27) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 5,481 trilhões em agosto para R$ 5,443 trilhões em setembro, recuo de 0,68%.

O Tesouro, no entanto, prevê que a DPF continuará subindo nos próximos meses. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado no fim de maio, o estoque da DPF deve encerrar 2021 entre R$ 5,5 trilhões e R$ 5,8 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) caiu 0,98%, passando de R$ 5,237 trilhões em agosto para R$ 5,186 trilhões em setembro. No mês passado, o Tesouro resgatou R$ 90,27 bilhões em títulos a mais do que emitiu. Isso se deve ao vencimento de R$ 234,04 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (LFT), título corrigido pela Selic.

A queda da DPMFi só não foi maior porque houve a apropriação de R$ 38,72 bilhões em juros. Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública.

Depois de ter caído para R$ 72,03 bilhões em agosto, as emissões voltaram a subir em setembro. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 145,93 bilhões, o maior nível desde maio. Os resgates da DPMFi somaram R$ 236,2 bilhões, influenciados principalmente pelo vencimento dos papéis atrelados à Selic.

A alta também foi impulsionada pela Dívida Pública Federal externa (DPFe), que subiu 5,83%, passando de R$ 243,51 bilhões em agosto para R$ 257,7 bilhões em setembro. O principal fator foi a valorização de 5,76% do dólar no mês passado.

Colchão

Nos últimos meses, o Tesouro tinha intensificado a emissão de títulos públicos para recompor o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos). Essa reserva caiu de R$ 1,227 trilhão em agosto para R$ 1,128 trilhão em setembro.

Atualmente, o colchão cobre quase um ano de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,308 trilhão em títulos federais.

Nos primeiros meses da pandemia da covid-19, o governo queimou parte desse colchão para compensar a instabilidade no mercado financeiro. Em setembro do ano passado, o Banco Central teve de repassar ao Tesouro R$ 325 bilhões para ajudar a recompor essa reserva. O restante está sendo feito com as novas emissões.

Em abril, a Emenda à Constituição do Novo Marco Fiscal, originária da PEC Emergencial, reforçou o colchão com mais R$ 140 bilhões da desvinculação do superávit de fundos públicos.

Composição

O vencimento de títulos vinculados à Selic mudou a composição da DPF. A proporção desse tipo de papel caiu de 36,11% para 33,95%. O PAF prevê que o indicador feche 2021 entre 33% e 37%. O Tesouro prevê que a participação voltará a subir nos próximos meses, com os investidores comprando títulos corrigidos pelos juros básicos da economia, num cenário de alta da Selic.

A fatia de títulos prefixados (com rendimento definido no momento da emissão) subiu de 31,86% para 32,58%. O PAF prevê que a fatia da inflação na dívida pública encerre o ano em uma faixa entre 31% e 35%.

A fatia de títulos corrigidos pela inflação na DPF aumentou de 27,35% para 28,48%. Composto por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa, o peso do câmbio na dívida pública passou de 4,68% para 4,99%. Os dois tipos de indexadores estão dentro dos limites estabelecidos pelo PAF para o fim de 2021, entre 26% e 30% para os papéis vinculados à inflação e entre 3% e 7% para o câmbio.

Detentores

As instituições financeiras seguem como principais detentores da Dívida Pública Federal interna, com 31,3% de participação no estoque. Os fundos de investimento, com 23,2%, e os fundos de pensão, com 21,8%, aparecem em seguida na lista de detentores da dívida.

Apesar das turbulências no mercado financeiro em setembro, a participação dos não residentes (estrangeiros) subiu levemente de 9,8% em agosto para 10,1% em setembro. O percentual está no maior nível desde fevereiro de 2020, antes do início da pandemia da covid-19. Os demais grupos somam 13,7% de participação, segundo os dados apurados no mês.

Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser prefixada (definida com antecedência).


Siga MT Agora no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para entrar em nosso grupo do WhatsApp clicando AQUI e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

COMENTARIOS

Mais de Economia

Economia

Fazenda Nacional arrecadou R$ 31,7 bi em dívidas com a União em 2021

Valor é 29% maior do que o recuperado no ano anterior

28 de Janeiro de 2022 as 20h15

Economia

Governo encerra 2021 com folga de R$ 119,7 bilhões na regra de ouro

Para este ano, insuficiência está projetada em R$ 125,7 bilhões

28 de Janeiro de 2022 as 18h30

Economia

Mais de 300 mil trabalhadores ainda não sacaram o Abono Salarial

São R$ 208,5 milhões nos cofres do Estado

28 de Janeiro de 2022 as 17h45

Economia

Teto de gastos fecha 2021 com folga de R$ 27,53 bilhões

PEC dos Precatórios liberou R$ 64,9 bilhões no Orçamento de 2022

28 de Janeiro de 2022 as 17h30

Economia

Queda do déficit primário deve-se a controle de gastos, diz ministro

Guedes rebate críticas de que inflação ajudou contas públicas

28 de Janeiro de 2022 as 16h30

Economia

Petrobras registra recorde de produção e venda de diesel S-10 em 2021

O diesel S-10 é um combustível com baixo teor de enxofre

28 de Janeiro de 2022 as 16h30

Economia

Governo Central tem menor déficit primário desde 2014

Resultado negativo nas contas públicas fica em R$ 35,1 bilhões

28 de Janeiro de 2022 as 16h00

Economia

Brasil começará a reduzir IOF cambial ainda este ano

Medida faz parte de acordo para adesão à OCDE

28 de Janeiro de 2022 as 14h30

Economia

Taxa média de juros em dezembro registrou 24,4% ao ano

A inadimple?ncia do cre?dito geral atingiu 2,3% no mês

28 de Janeiro de 2022 as 13h00

Economia

Governo vai priorizar criação de empregos em 2022, diz presidente

Protocolo de intenção para qualificação profissional foi assinado hoje

28 de Janeiro de 2022 as 11h00

Economia

Governo autoriza integralização de cotas no fundo garantidor do Fies

Valor de R$ 500 milhões garante crédito em caso de inadimplência

28 de Janeiro de 2022 as 10h45

Economia

FGV: confiança dos empresários de serviços cai 4,3 pontos em janeiro

É o menor nível desde maio do ano passado

28 de Janeiro de 2022 as 10h15

Economia

IGP-M: inflação do aluguel sobe 1,82% em janeiro

Índice acumula alta de 16,91% em 12 meses

28 de Janeiro de 2022 as 09h45

Economia

IBGE: Desemprego cai para 11,6% em novembro

São 3,2 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho

28 de Janeiro de 2022 as 09h00

Economia

BC só retomará consulta a valores esquecidos em 14 de fevereiro

Transferências só poderão ser agendadas a partir de 7 de março

27 de Janeiro de 2022 as 19h00

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

ENQUETE

veja +

COTAÇÃO