Artigo

Guerra cibernética: O inimigo é você

É claro, “público” e “privado” não significam aquilo que parecem

Fonte:MT Agora - Assessoria
14 de Agosto de 2014 as 06h 50min

O Bloomberg relata que “o maior grupo comercial de Wall Street propõe a criação de um conselho de guerra cibernética formado pelo governo e pela indústria”, liderados por um “representante da Casa Branca”e composto por nomes da indústria financeira e nada menos que oito agências federais americanas.
 
O “grupo comercial” supracitado, a Securities Industry and Financial Markets Association (Associação da Indústria de Títulos e de Mercados Financeiros), já contratou o ex-diretor da National Security Agency (NSA) Keith Alexander e uma firma capitaneada pelo ex-chefe do Departamento de Segurança Interna dos EUA Michael Chertoff para “facilitar” o projeto.
 
A turma está toda aqui! O governo, ex-funcionários do governo, banqueiros… espere, falta alguém. Quem poderia ser? Ah, sim! Você! Mas não se preocupe, vocë tem um papel a desempenhar aqui. Para começar, você pode pagar a conta.
 
Quando Alexander descobriu que seus serviços de sergurança (vendidos por sua firma de “consultoria” IronNet Cybersecurity) não vendiam muito a US$ 1 milhão por mês, ele tirou da cartola a velha fraude das “parcerias público-privadas”: arranjar clientes que não estão dispostos a pagar e colocar o estado na jogada para enfiar a conta goela abaixo nos pagadores de impostos.
 
Mesmo as “parcerias público-privadas” melhorzinhas são péssimas ideias. Suas partes “públicas” são relacionadas ao pagamento de custos (você). A parte privada” tem a ver com a alocação dos benefícios (eles). O estado e seus parceiros “privados” dividem a culpa pelo fracasso — sem comparilhá-la, mas passando de um para outro até que todo mundo esqueça o que aconteceu e possa voltar a bater sua carteira.
 
É claro, “público” e “privado” não significam aquilo que parecem. O lado “privado” são pessoas como Alexander, Chertoff e seus colegas banqueiros sem rosto — que não estão mais (ou ainda não foram colocados) na folha de pagamentos do governo, mas que estão com seus dentes firmes no erário. O lado “público” são burocratas governamentais salivando por futuros profissionais parecidos. Uma porta giratória conecta os dois lados. Se é difícil percebê-la, é porque ela gira muito rápido. Você paga o frete, mas não tem mais nenhum utro envolvimento.
 
Esta parceria, porém, não é das melhores. Como é que eu sei? Fácil: ela tem “guerra” no título.
 
Guerras têm lados. Guerras têm inimigos.
 
Não acredita em mim? Pergunte a Bounkham Phonesavanh, o bebê que está de volta em casa após internação no hospital depois de ser atingido dentro de seu berçário por uma granada de flash jogada por policiais guerra (“pública”) às drogas. Você pode já ter visto esta história no noticiário no meio de anúncios que dão apoio a um país “sem drogas”. Esse é o seu cérebro na guerra contra as drogas.
 
O objetivo dessa guerra “público-privada” é consertar a cerca que foi levantada há muito tempo (pelos mesmos indivíduos que agora a defendem) em volta dos bancos e serviços de pagamento e financiamento.
 
O inimigo é o mercado desregulado e seus clientes (inclusive você). Pense no Bitcoin. Pense nos serviços de carona compartilhada como o Uber e o Lyft.
 
Esses mercados operam — às vezes na prática, às vezes potencialmente — fora da teia de regulamentações do estado, que são estabelecidas para monopolizá-los e entregar seu controle aos bem conectados. São mercados que sempre existiram (na forma de escambo, moedas locais, vans e caronas compartilhadas), mas hoje em dia crescem em ritmo frenético. Com a ajuda da internet e de fortes tecnologias criptográficas, representam os maiores riscos não só aos monopolistas mas ao sistema de controle estatal que garante seus monopólios.
 
A campanha de propaganda que eventualmente culminará em “padrões de segurança” e “ações prévias e posteriores” já está em andamento. Provavelmente não se trata de coincidência o fato de que a cobertura da mídia dessa proposta se segue à cobertura de um texto de um blog com supostas conexões à ISIS sobre o uso de Bitcoin para “permitir uma jihad em larga escala”. De fato, eu não me surpreenderia se soubesse que os autores do tal texto e do release do “conselho de guerra cibernetica” tivessem dividido um cubículo no Pentágono — ou pelo menos que tivessem os contatos uns dos outros na discagem rápida.
 
A má notícia é que provavelmente não há nada que você possa fazer para parar esse “conselho de guerra” e seu planejamento de combate.
 
A boa notícia é que você pode ganhar essa guerra. Tudo o que você tem que fazer é perceber que precisa de mercados novos, melhores e desregulados mais do que precisa de mercados controlados pelo estado — ou mais do que precisa do próprio estado.
 
Thomas L. Knapp é coordenador de mídias do Centro por uma Sociedade Sem Estado (c4ss.org)

COMENTARIOS

Mais de Coluna

Artigo

O Compliance e o Direito Societário

A atuação jurídica no compliance envolve dentre outras coisas, a assessoria, orientação e elaboração de organização societária

20 de Fevereiro de 2020 as 16h26

Artigo

O Pior já passou por Ramiro Azambuja

Os últimos cinco anos foram difíceis para o setor de construção civil e mercado imobiliário em todo o país, mas 2020 começa com ares e indicadores otimistas.

09 de Fevereiro de 2020 as 22h54

Artigo

A hegemonia do etanol, por Marino Franz

O consumo interno de etanol continua crescendo, mesmo com a alta nos preços registrada neste início de ano

03 de Fevereiro de 2020 as 10h43

Artigo

Privilégio fiscal e a verdade sobre o “aumento dos preços”

Você sabia que em Mato Grosso empresas do mesmo setor, como por exemplo, do comércio, tinham incentivos fiscais diferentes?

20 de Janeiro de 2020 as 22h45

Artigo

Nova regra do ICMS em MT a partir de 01/01/2020

O nome já diz “guerra fiscal”, pois praticamente impossível a aprovação de um incentivo pelo Confaz, então os Estados (todos) passaram a conceder incentivos ao arrepio da lei.

21 de Dezembro de 2019 as 21h29

Artigo

Pacote Anicrime: Legitima Defesa aos Agentes de Segurança Pública

“Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.”

09 de Janeiro de 2020 as 13h44

Artigo

Nova Lei de Abuso de Autoridade entrou em vigor

Há uma infinidade de punições previstas na lei de abuso de autoridade, sendo elas desde perda ou afastamento do cargo, quanto a indenizações cíveis e penas restritivas de direitos

07 de Janeiro de 2020 as 00h01

Artigo

Novidades da Lei 13.964/19 e Recompensa a Informantes

Agora qualquer cidadão (informante) que tiver acesso a informações que relatar informações consistentes que levem a recuperação do produto do crime contra a administração pública poderá ter como recompensa até 5% do valor recuperado.

07 de Janeiro de 2020 as 23h48

Carreira

10 características de um bom líder – que os líderes ruins não têm

Gestores fortes dividem a autoridade,falam obrigado e assumem seus erros

07 de Janeiro de 2020 as 15h46

Artigo

O inevitável processo civilizatório

A vida vai acrescentando coisas e desejos à nossa existência

10 de Dezembro de 2019 as 14h34

Artigo

Avanço na recuperação judicial

Lei também beneficia produtores que tenham atuado como pessoas físicas

10 de Dezembro de 2019 as 14h32

Artigo

Dicas para vender mais

Uma das coisas mais valorizadas pelo cliente é a economia do tempo dele

10 de Dezembro de 2019 as 14h30

Artigo

Transformação Compliance

Esse novo movimento tem ganhado força entre os mercados

07 de Novembro de 2019 as 09h25

Artigo

As reformas que temos

A neutralidade acredito que seja o aspecto mais frágil em ambos os projetos

07 de Novembro de 2019 as 09h23

Artigo

A perda de uma chance

O ato de perder muita das vezes desencadeia reações impensadas e imprevisíveis

21 de Outubro de 2019 as 10h49

Guia MT

Busca telefônica em Lucas do Rio Verde - MT

ENQUETE

veja +

COTAÇÃO